top of page
Críticas Recentes

Mini catálogo da atual exposição - A Crise Planetária - de 5 a 20 de Novembro no Salão Anual da Sociedade Nacional de Belas Artes

JOÃO PINHARANDA

Historiador de Arte e Comissário

 

"Numa consulta demasiado rápida e sem que tivéssemos trabalhado juntos esta nova fase, confirmo que o João continua a ver o mundo a partir de dentro de si e que as ficções que monta (recuperando tudo o que o mundo natural e  artificial lhe dá para criar as personagens e os cenários dos seus teatros) se destinam a dar pistas mínimas de orientação a quem não é iniciado ou não tem acesso fácil ao motor da máquina do mundo ou não considera que exista um sentido interior para as coisas. O Vírus é mais um pretexto para o João continuar esse diálogo com os outros e consigo, para criar mais e mais universos paralelos – afinal os seus jardins são, como todos, jardins de caminhos que infinitamente se bifurcam."

Acerca do Filme Human Characters

BERNARDO PINTO DE ALMEIDA

Historiador de Arte na Universidade do Porto

“É uma espécie de manifesto de loucura mística. Considero o filme muito bom. Pela sua qualidade de invenção plástica, pela graça com que descreve as situações, pelo modo como, sendo político, jamais é doutrinário e porque consegue fazer passar uma intensificação de consciência.”

Acerca do livro - A Espada - publicado em 2018 

MARCELO REBELO DE SOUSA

Presidente de Portugal - Escreveu no prefácio do livro​:

"Inteligência invulgar, acompanhada por uma sensibilidade extrema. A junção e ambas solicitaram-no à abordagem de temas reais num quadro de extra realidade ou supra realidade. Numa linha idealista, que é rica nas nossas Letras e na nossa História, conjugada com uma visão da Nação, da Vida e do Devir Humano. João Teixeira da Motta está, todo ele, aqui - a começar no fantástico mais inesperado. "

Acerca das peças tridimensionais na exposição de 2017 na SNBA: 

LUÍSA SOARES DE OLIVEIRA

Crítica de arte no jornal Público​

 

Desde que conheço a obra de João Teixeira da Motta que me sinto impressionada pela sua capacidade de criar outros mundos, diferentes daquele que a nossa experiência quotidiana nos transmite. Recordo, há muitos anos, os seus Jardins Mágicos, cenários fantásticos realizados com objectos de muito diversa proveniência que apelavam de imediato à nossa capacidade de inventar, de ficcionar, de atribuir significado e, porque não dizê-lo, de ir buscar essa criança que todos guardamos algures dentro de nós e dar-lhe a possibilidade de brincar a um "faz-de-conta" que estava e está ainda hoje totalmente dentro do espírito do tempo. Mais tarde, uma série de retratos mostrava o artista assumindo diferentes personae, que foram colocados lado a lado com grandes nomes da fotografia contemporânea portuguesa numa exposição internacional em Madrid. Depois disto, João Teixeira da Motta, que tem seguido um percurso pontualmente alheado dos holofotes mediáticos, ressurgiu agora com nova série de objectos e alguma pinturas, onde continuam evidentes os processos de trabalho que assumiu como seus e que permanecem como base de toda a sua obra.

Neste contexto, a apropriação de objectos encontrados assume o papel principal. Conseguimos entender claramente que todas as obras aqui expostas provêm da capacidade de atribuir sentido a esse achado, ora transformando-o através da associação com outras peças, ora encontrando neles uma vocação performativa que se manifesta nitidamente em dois filmes concebidos para esta exposição e projectados num espaço escurecido. O próprio discurso que João Teixeira da Motta enuncia sobre a sua obra potencia este animar do inanimado e do não orgânico; por exemplo, é comum ouvir o artista dizer coisas como “aqui estão de boca aberta” “esta personagem tem dentes”, “aqui temos um leitor apaixonado pelo conhecimento”, entre outras frases que nos revelam o diálogo interior e íntimo que vai construindo, no isolamento do atelier, com o seu trabalho. 

Nesta linha de pensamento, o artista incluiu nesta exposição um conjunto de figurinhas encontradas num antiquário, que sabe terem sido fabricadas por mãos femininas, e que provavelmente (mas nada é certo) seriam adereços usados na fase de pré-produção de uma peça teatral. As figuras, quase todas parecendo representar seres masculinos, vestidas com algo que poderia bem ser uma toga de senador romano, possuem uma qualidade inquietante que lhes é dada pelo estado de quase ruína em que se encontram. Mesmo assim, João Teixeira da Motta criou cenários para as apresentar que não estão longe dos antigos Jardins Mágicos que outrora construía. 

Este processo de criação, no fundo, está tão perto da assemblage de raiz surrealista como do jogo infantil; e tão perto de um processo bem estabelecido pela historiografia da arte moderna durante a primeira metade do século XX como do gesto gratuito e ingénuo da arte que nunca se considerou erudita nem revolucionária. Dito de outra forma, encontro aqui tanto de Cruzeiro Seixas como das esculturas com objets trouvés de Picasso, tanto das caixas de Joseph Cornell como dos mundos imaginários de um Facteur Cheval. É certo que existe na obra de Teixeira da Motta uma erudição e um propósito espiritual que habitualmente não encontramos na arte chamada ingénua. Mas o que interessa é entender que estamos perante uma expressão estética que procede de um impulso sincero e primordial, que de certa maneira interroga o modo como o corpo do artista produz aquilo que se chama arte. E, através disto, o modo como esse mesmo artista se insere no mundo. 

  • Black Facebook Icon
  • Black Pinterest Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black Instagram Icon

© 2023 por Sal & Pimenta. Orgulhosamente criado com Wix.com

RECEBA AS NOVIDADES

Obrigado pelo envio!

bottom of page