
Percurso Criativo
João Motta é um artista que se expressa de formas muito variadas. Faz sobretudo obras tridimensionais. Nesse contexto, os seus Jardins Mágicos (mundos miniatura dentro de caixas) foram expostos e vendidos, de 19996 a 1998, na Feira ARCO de Madrid pela Galeria Gilde, e, dezoito deles, fizeram, em 1996-97, um tour do Oriente graças à Fundação Oriente, com catálogo realizado pelo Galerista Luís Serpa. Nesse tour, expôs em Macau, em Seul e, no Japão, na Fundação Akemi, de Osaka e na Galeria Itoki, em Tóquio. Tem exposto de 1992 até agora, apresentando em Novembro de 2021 uma instalação na SNBA, “A Relação do Vírus com a Humanidade”.
É também escritor (O Território e o Mapa e A Espada) e foi diplomata durante 17 anos, especializado nas grandes organizações internacionais.
Para além da sua exposição inicial na SNBA em 1996, fez exposições na Fundação Cupertino de Miranda (1999), no Museu do Azulejo (durante a Expo 98), no Museu do Traje (2001) e no Espaço Crew Hassan (2003). Expôs também seis grandes fotografias, Os Defeitos de Carácter, na mostra Observatório, no ano em que Portugal foi o país convidado da ARCO de Madrid. Em 2001 uma peça sua foi capa do último número, o 111, da revista Colóquio-Artes, da Fundação Gulbenkian, que incluíu vários textos sobre a sua obra.
Desde 1992 tem feito, em colaboração com diferentes realizadores, mais de uma dezena de filmes ou vídeos, quer sobre as suas performances de dança-teatro, ou teses culturais, quer ficcionando narrativas sobre as sua obras tridimensionais, às quais dá corpo e voz.
Faz também trabalhos em madeira e pinturas.
Sobretudo no período inicial recebeu apreciações muito positivas da crítica nacional, desde Alexandre Pomar a Bernardo Pinto de Almeida, de João Pinharanda a José Luís Porfírio, de António Rodrigues a Luísa Soares de Oliveira, tendo mesmo, o Director do Museu de Osaka, o Sr.Kimura, no primeiro catálogo das exposições no Japão, usado a expressão genial.
Fala de si como um sintetizador cultural, fazendo pontes entre todas as áreas da cultura.
Porque sou? Porque faço?
Cada artista, cada escritor, cada humano é único e procura, consciente ou inconsciente, saber o que é, o que está aqui a fazer, o sentido da vida. A maioria dos humanos descobre-o nas relações sentimentais, na família ou amigos, nos empregos onde passam o dia, nas férias, nos hobbies, nos filmes ou nos jogos.
No meu caso, a busca espiritual e o encontro com o divino primaram sobre o resto. Pelo que a minha forma de fazer arte é uma tentativa de dar sentido ao mundo e um espelho da busca de identidade. É por isso que a minha obra, sobretudo ultimamente, apresenta heróis, meditadores e xamanes. São os meus modelos, que tornam certas obras “devocionais”, pois medito diante delas. Aprendo assim com o que faço, vou-me moldando. Os heróis dão-me coragem, os meditadores dão-me centro e os xamanes levam-me à acção incisiva de ligar os mundos visíveis e invisíveis. São o meu masculino projectado para fora, reconhecido e reintegrado.
Claro que também gosto de fazer obras que me fazem rir, que surpreendem, que dão boa disposição, que fazem rir os outros. Que podem ou não ser surrealistas, uma forma de ver ou recompor o mundo e as suas divertidas incongruências, que pratico amiúde.
Alguns traços unem os muito variados tipos de obras que faço: O pensamento mágico, ou intenção com que as faço: ao fazê-las transmuto e transformo, ao mundo e a mim. A visão poética das coisas e a inocência de “brincar” com bonecos. A urgência de querer ajudar ao despertar da humanidade, que se poderia ver como ideológica, mas é um trabalho de amor, pois sou uno com todos. Uma obsessão pela narrativa, visual e literária, filha de uma fortíssima imaginação.
Qualquer humano foi afectado pela irrupção do vírus e as limitações às liberdades que ele acarretou. Criou-se no mundo uma cisão entre os que basicamente acreditam nos governos e outras autoridades e os que duvidam; entre os que aceitaram as vacinas sem estados de alma ou foram coagidos e os que trilham um caminho mais individual.
A instalação apresentada na SNBA inclui um “tríptico” (três peças tridimensionais, ou assemblages, feitas sucessivamente em 2020) e um filme sobre elas, de 3,49 minutos, intitulado “A crise planetária”. Nelas procurei expressar o que senti ao longo desse ano e o que observei no mundo exterior. Esse processo culminou na peça “A Encenação”, feita à base de marionetes e de máscaras miniatura. Uma encenação cósmica que é o contexto da actual crise planetária, uma crise de identidade.
Para o artista, místico, filósofo ou vidente, esse contexto é o da resolução do vírus antiquíssimo da separação e da dualidade, é o regresso do Filho de Deus ao Paraíso. O vírus sanitário é só a ponta do iceberg de um bloco enorme, a grande ilusão do mundo, que flutua perdido no oceano da eternidade.
Como nos libertarmos do ego, individual e colectivo, que é só um mecanismo de separação no cérebro de cada um? Rindo…rindo…rindo…. Até que uma epidemia de riso dissipe as trevas da ignorância…. É que nada jamais se passou desde que nos ocorreu a ideia de separação…
Narrativa Biográfica de João Teixeira da Motta
João Motta é uma personagem multimoda que apareceu em 1949. Licenciado em Direito, foi diplomata do Governo Português de 1972 a 1989, tendo servido em Nova Iorque (Nações Unidas), Roterdão (Cônsul Geral) e Paris (UNESCO).
Durante esses 17 anos, especializou-se na diplomacia multilateral, o trabalho das grandes organizações internacionais (como a ONU e o Conselho da Europa), acreditando ingenuamente que a cooperação internacional poderia salvar o
mundo. Nesse contexto das negociações internacionais revelou-se um bom mediador, capaz de conciliar as posições de muitos países numa síntese de consenso. Em 1989, ciente da falsidade de mapas políticos, mudou da política internacional para a cultura, a arte, a literatura e, sobretudo, o aprofundamento espiritual, ou seja, o conhecimento de si-próprio e da natureza da realidade.
Nesse ano escreveu um pequeno livro, O Território e o Mapa, publicado em versões francesa, portuguesa e espanhola, que é uma ficção poética situada na América antes da chegada do homem europeu e que, falando do choque e
superação dos paradigmas culturais, respira a essência da realidade e emana libertação.
No campo do cinema e do vídeo foi primeiro produtor, intérprete e guionista de duas obras de dansa-teatro a solo, em vídeo - A Natureza do Guerreiro, realizado por Rui Simões e A Sombra do Jardim, feitos em 1992 e 1994. Foi depois
actor/dansarino/guionista em Multifaces, realizado em 2010 na Flórida com Sylvia Mejia. Nesse ano fez também com ela três vídeos, Magical Gardens, em que estes são usados como ferramenta didáctica com crianças. Fez ainda, em 2014, o vídeo Cultural Synthesis, em que fala e dansa sobre a sua visão da cultura. Em 2015, como actor e guionista, fez em colaboração com LM, o video A Consulta das Nuvens (também com a participação de Carlota Mantero). Em 2017, em colaboração com Paulo Costa Pinto (realizador, cameraman e musicista), fez os filmes Earth 2 e Human
Characters, nos quais as suas peças expostas na S.N.B.A. fazem de actores, falando por legendas. Fez também várias performances ao vivo em diferentes lugares, de Cali a Macau, de Madrid a Seattle.
Como artista plástico, numa instalação que ocupou toda a sua casa, começou, em 1992, a mostrar os seus Jardins Mágicos, pequenas encenações ou mundos em miniatura, feitas de todo o tipo de objectos, trabalhados ou não, que são imagens de espiritualidade, política, história e humor, incluindo o refazer da História humana. Apresentados primeiro ao grande público na Feira ARCO de Madrid entre 1996 e 1998, os 18 Jardins originais, depois de terem sido mostrados na S.N.B.A, visitaram o Oriente, em 1996/97, graças à Fundação Oriente, tendo sido mostrados no Japão (na Fundação Akemi em Osaka e na Galeria Itoki em Tóquio), em Macau (agora na China) e em Seul (Coreia).
Viveu em Cali, na Colômbia, entre 1993 e 1995. De 1999 a 2004 estudou na Escola de Iluminação de Ramtha, perto de Seattle, de quem traduziu o Livro Branco. Em 2003, 2005 e 2007 continuou a fazer novas exposições dos Jardins
Mágicos em Portugal, tendo as duas últimas incluído uma nova via de expressão: pinturas a óleo e acrílico.
De 2007 a 2010 viveu na Flórida em associação com a “Om One God Foundation”.
Em 2010 voltou a Portugal e fundou o Movimento Despertar Portugal, que visava unir a política à espiritualidade. A partir de 2012 virou-se mais para o mundo das comunidades rurais ao qual continua ligado.
De 2013 a 2016 escreveu o livro, A Espada. Uma ficção histórica e cósmica, que roda à volta de uma espada, física e real, que foi do último rei absoluto de Portugal, mas que é apresentada como tendo sido forjada pelo Arcanjo Miguel econtra a qual lutam os “Controladores” deste planeta. O livro foi publicado, em Março de 2018, pela Editora Espiral e a sua segunda edição, revista, aumentada e amplamente ilustrada, foi lançada em Abril de 2019.
De 27 de Abril a 27 de Maio de 2017 realizou uma grande instalação na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, composta de uma variedade de objectos em assemblage, miniaturas, manequins, madeira trabalhada, pintura, fotos e filmes.
Desde finais de 2018 vive em Lagos, apresentando no Salão Anual da S.N.B.A., em Lisboa, de 5 a 20 de Novembro de 2021, uma instalação sobre “A Humanidade e o Vírus”, que inclui um “tríptico”, de 3 peças tridimensionais, e um filme de 3,49 minutos, intitulado “A crise planetária”, em que dá voz às personagens dessas 3 peças. Neste contexto, realizou também um filme de 20 minutos, em que descreve as 3 obras e as suas personagens, que está disponível neste site e na sua página do Youtube.